Reformas Passos

 Reformas urbanas no Rio por Pereira Passos

Durante a segunda metade desse século, o Rio de Janeiro, capital do Brasil nessa época, sofre com o crescimento populacional, a crise habitacional, os surtos epidêmicos, o aumento da circulação de mercadorias no porto e em suas ruas estreitas e congestionadas. Além disso, no centro, encontravam-se cortiços, casas de cômodos, pequenas oficinas artesanais, escritórios de grandes companhias, casas de comércio, prédios públicos, bancos, entre outros. A utilização do espaço já não atendia aos interesses dos capitalistas estrangeiros e brasileiros, nem aos do Estado republicano. Sendo assim, todos esses fatores em conjunto influenciaram, com maior ou menor intensidade, a realização das reformas.

 

O Estado teve papel fundamental nesse processo, com ressalta Jaime Benchimol, um dos historiadores que empreenderam esforços para investigar, de maneira crítica, o processo de renovação urbana pelo qual passou a Capital.

“(…) a expropriação ou segregação de um conjunto socialmente diferenciado de ocupantes de um espaço determinado da cidade – modificado pela ação do Estado – e sua apropriação por outras frações de classe. Essa ‘transferência’ realizou-se por intermédio de mecanismos de expropriação e valorização acionados diretamente pelo Estado.”

Os grupos sociais segregados dos quais fala o autor eram constituídos por trabalhadores e membros da pequena burguesia, proprietária de pequenos estabelecimentos comerciais e de habitações coletivas, que não tinham condições de habitar na região renovada, cujos terrenos foram supervalorizados em razão das obras realizadas. Nesse sentido, Benchimol aponta que o “bota-abaixo” desarticulou uma “trama complexa de relações sociais”. Ao desapropriar e demolir diversos prédios, a vida dos que trabalhavam e residiam no centro da cidade foi alterada significativamente.

Os subúrbios, mencionados por Benchimol, ocorre quando  aborda o crescimento da periferia da cidade, em virtude das reformas de Pereira Passos, prefeito do Rio que ficou responsável por “civilizar” a capital.

“a grande expansão dos subúrbios começou, de fato, na primeira e segunda décadas do século atual, estimulada, em larga medida, pelas demolições realizadas no centro da cidade.”

 

Francisco Pereira Passos 

“Núcleo-periferia”

A evolução urbana do Rio de Janeiro, de Maurício de Abreu, com intuito de entender o Rio de Janeiro atual,  investigou as raízes da sua estratificação espacial “núcleo-periferia”.

Abreu privilegiou o estudo das prioridades e omissões do Estado, a fim de compreender de que maneira essa instituição contribuiu para a estratificação da cidade. De modo geral, sua investigação não difere das dos autores tratados anteriormente. Ele aponta que a primeira expansão acelerada da malha urbana, ocorrida entre 1870 e 1902, foi resultado das “necessidades de reprodução de certas unidades do capital, tanto nacional como estrangeiro”.

Ao abordar essa expansão, Abreu também trata do papel dos bondes e trens, descrevendo detalhes sobre quais concessões foram feitas e a quem beneficiavam. Além disso, o autor afirma que apesar de bondes e trens terem induzido, de diferentes modos, o crescimento da cidade, a dicotomia “núcleo-periferia” que já se esboçava antes de 1870, foi apenas consolidada pela instalação desses meios de transporte, mesmo porque a própria escolha de cada um deles para uma região e outra já foi pautada nessa dicotomia que se constituía. Novamente, é nesse momento que os subúrbios aparecem devido às transformações operadas pela introdução das ferrovias nas freguesias rurais.

A favela uma consequência das reformas de Pereira Passos?

No que diz respeito às conseqüências das reformas, Abreu aponta a favela como “única alternativa que restou a uma população pobre, que precisava residir próximo ao local de trabalho”15. Porém, o autor aponta ainda que nem todos os expulsos dos cortiços ou que chegaram à cidade instalaram-se nas favelas. Nas palavras de Abreu, a “grande maioria, ao que parece, instalou-se nos subúrbios, contribuindo assim para a sua ocupação efetiva.”

 

 A erradicação das epidemias

 

 O discurso médico higienista que foi encampado pelo Estado brasileiro, nesse período, nas reformas urbanas do Rio, não existiu sem encontrar resistência em boa parte da população. Em 1904, ocorreu um evento que ilustra a reação popular a essa imposição à força da civilização e do progresso: a Revolta da Vacina.

 

Oswaldo Cruz, médico sanitarista, chamou para si a responsabilidade de erradicar os surtos de doenças que varriam a cidade. Primeiro, teve de combater os médicos que não acreditavam em seu novíssimo e eficiente método de acabar com a varíola: a vacina. Depois, bateu de frente com tradições populares de cura, uma miríade de práticas alheias à ciência médica ocidental, colocadas no mesmo balaio do “curandeirismo”. Além da doença, essas práticas também deveriam ser erradicadas, pelo bem da saúde pública. O resultado dessa imposição estatal de uma forma de curar e mesmo de viver foi o enfrentamento urbano entre uma entrincheirada população civil e as forças do Estado brasileiro

Referência: 

– A reforma urbana e o subúrbio carioca na historiografia MIYASAKA, C. R., Mestranda em História Social do Trabalho – Unicamp.  

– Disponível em: <http://www.comciencia.br/comciencia/?section=8&edicao=56&id=712> Acesso em 06/10/2012

 

 

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