Arquivo do mês: abril 2012

Nacionalismo Brasileiro: Ação Integralista Brasileira (AIB)

Fora do Integralismo não há Nacionalismo 

 “Batemos-nos pelo Estado Integralista (…) Queremos a reabilitação do princípio de autoridade, que esta se respeite e faça respeitar-se.  Defendemos  a  família,  instituição  fundamental  cujos  direitos  mais sagrados são proscritos pela burguesia e pelo  comunismo  (…)  Opomo-nos  ao  voto  universal:  quanto  mais  ele  ganha em extensão, menos real, menos consciente se torna. Necessidade, portanto, da eleição indireta”

Comitê Integralista

Cartaz da AIB para recrutamento de novos adeptos.

“O liberalismo algemou o Estado Democrático com a pesada cadeia das constituições e das fórmulas jurídicas estáticas (…) Estado impotente e ridículo da democracia liberal (…) O liberalismo enfraqueceu, castrou  os  seus  governos… Todos  os sofrimentos do mundo moderno se originam de um só defeito da grande máquina: a  falta  de  disciplina (…) O mundo está agonizado por falta de autoridade do Estado”

Afirmava Plínio Salgado,  intelectual responsável pela sistematização da Teoria do Estado Integral, na qual a extinção do liberalismo se  apresentava  como  o  imperativo  capaz de colocar um fim  à  crise  financeira  de  1929, ao desemprego, às revolta operárias e às desigualdades  sociais. As  ideias corporativas  do  fascismo  italiano  exerceriam  forte  influência sobre os líderes integralistas e sua doutrina. Em 1930, surgiu o Partido Fascista Brasileiro, e, nos dois anos seguintes,  uma dúzia de  organizações  semelhantes  estava montadas no país, sobretudo na região Centro-Sul, onde se concentrava a maior parcela das classes médias urbanas, e a presença das colônias alemã e italianas que favorecia a arregimentação.   

Plínio Salgado ao lado de sua esposa Carmela P. Salgado

  • Símbolos máximos integralistas:

Camisa verde; letra grega sigma maiúscula (significa soma em matemática); saudação com o braço levantado e mão espalmada; bandeira azul com círculo branco, onde o sigma se superpõe ao mapa do Brasil; saudação Anauê!, na língua tupi.

Revista Anauê! órgão informativo da AIB

Bandeira Integralista

 

Saudação Integralista

 

 

 

 

 

 

 

  •    Anauê! : a saudação dos integralistas.

 A 23 de abril de 1993, Plínio Salgado, à frente de 40 pessoas, realiza a primeira marcha integralista em São Paulo. No Congresso Integralista realizado no Espírito Santo , ele é reconhecido  como líder  nacional  do  movimento, unificando as várias correntes fazcistas, daí por diante a AIB não pára de crescer. Segundo seu porta-vozes,  ela chegou a contar com 300 mil a 400 membros, espalhadas pelo país.

O  forte apelo patriótico e antiimperialista do integralismo – que não deixava de atacar a dominação dos EUA e da europa sobre o resto do mundo – angariou muitos adeptos que, mais tarde, acabariam entrando para as fileiras democráticas.

  • O sonho do Führer brasileiro

O integralismo  foi  um movimento político autoritário,  nacionalista,  antiliberal  e  antissocialista.  Por suas concepções doutrinárias, pelo  seu  modelo   de  organização   partidária,  por  seus   métodos  de  ação  política,  o   integralismo  brasileiro  assemelhava-se  aos movimentos fascista europeus, especialmente  italianos.  Deste ponto de vista, o integralismo brasileiro não deve ser confundido com outras correntes  políticas conservadoras, de tipo tradicional, ligadas aos proprietários rurais ou à burguesia. Os principais dirigentes integralistas   foram   recrutados   na   alta   classe  média  urbana,  especialmente   entre   seus  setores  intelectualizados,  de  formação universitária: profissionais liberais, escritores, professores, jornalistas, estudante e etc. 

O integralismo teve também forte penetração na juventude, na realidade, em 1933, três quartos dos dirigentes nacionais integralistas tinham menos de trinta anos. Na sua curta vida, a AIB teve uma expansão fulminante, para logo desaparecer. Em 1937, quando Plínio Salgado   anunciou  sua  candidatura  à  presidência,   seu   nome  pareceu   simpático  ao  próprio  Getúlio  Vargas.  Os  acontecimentos posteriores, entretanto, agiram no sentido da liquidação da AIB. Em primeiro lugar, com o golpe de 10 de novembro e o Estado Novo, o próprio Getúlio Vargas se encarregava da instauração de um  regime  autoritário que, sem os excessos do integralismo, revelava-se capaz de manter a ordem. Em segundo lugar, sentindo-se  ameaçado  pelo avanço do integralismo, Getúlio manobrou habilmente para destruí-lo. Em  2  de dezembro 1937,  um  decreto  viria   abolir todos  os  partidos. Embora Plínio tivesse a esperança, alimentada por Getúlio, de ocupar o Ministério da Educação, a AIB foi também colocada fora de lei.

Fonte: Nosso Século: Brasil 1930/1945(I), Editora Abril Cultural, pág. 156 à 163.

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O Nacionalismo

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Nacionalismo é uma ideologia segundo a qual o indivíduo deve lealdade e devoção ao Estado nacional – compreendido como um conjunto de pessoas unidas num mesmo território por tradições, língua, cultura, religião ou interesses comuns, que constitui uma individualidade política com direito de se autodeterminar. O nacionalismo assume inúmeras formas e pode-se originar com base em diversas necessidades: de uma comunidade étnica, religiosa ou cultural, sob dominação, tornar-se independente; de um grupo ou comunidade impor sua nacionalidade e se transformar em soberano no Estado; ou de o próprio Estado-Nação impor seus ideais aos cidadãos como forma de sobreviver como unidade. 

  •  O termo no seu contexto histórico, nos possibilita um melhor entendimento sobre o assunto:

Muitos movimentos revolucionários de contestação às estruturas de poder aconteceram em grande parte da Europa no século XIX. Nesse período, a população européia enfrentou um conjunto de fatores socioeconômicos negativos que possibilitaram a aliança temporária entre setores da pequena e média burguesia com o operariado, cada vez mais consciente de seus interesses.

Esses movimentos revolucionários conjugaram ideias nacionalistas, liberais e socialistas, ocorrendo em diferentes países, como França, Itália, Áustria, Irlanda, Alemanha, Suíça e Hungria. Entre os principais pontos defendidos pelo nacionalismo temos:

  • Cultura: respeito pela formação nacional dos povos, ligados por laços étnicos e linguisticos, além de outros traços culturais;
  • Independência nacional: direito de todos os povos lutarem por sua independência como nação;
  • Autodeterminação: direito dos povos de escolher seu sistema político, sua forma de governo, num território unificado.

As teses liberais e nacionalistas tiveram grande importância nos movimentos pela unificação da Itália e da Alemanha e posteriormente vieram a desencadear uma série de revoluções.

Apesar dos significados dos termos à primeira vista, nos parecer idênticos, devemos entender que nacionalismo é  o característico sentimento da lealdade política, e patriotismo o sentimento de amor e devoção à pátria, aos seus símbolos, como por exemplo a bandeira, o hino, ou o brasão. 

 

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Apologia do Império

Por Sean Purdy,  Doutor em história pela Universidade Queen’s, no Canadá, e professor de história dos Estados Unidos na Universidade de São Paulo.

Niall Ferguso

Colosso: ascensão e queda do império americano - Niall Ferguso

Até a década de 1960, historiadores americanos raramente usavam a palavra “imperialismo”. Afinal, os Estados Unidos não tinham colônias formais e, da perspectiva desses estudiosos, sua intervenção externas eram sempre positivas e progressistas: o país espalhava a democracia e a liberdade pelo mundo.  

Foi quando surgiu, na esteira dos movimentos sociais do período, especialmente o de oposição à Guerra do Vietnã, uma série de estudos críticos a essa visão. Historiadores como William Apleman Williams mostram que, a partir de meados do século XIX, a política externa americana não só poderia ser caracterizada como imperialismo, como deveria ser interpretada levando em conta a dominação econômica exercida pelo país, as diversas invasões no Caribe e na América Latina, as políticas implementadas após a Segunda Guerra Mundial e o intervencionismo durante a Guerra Fria. Além disso, os Estados Unidos exercem um “imperialismo interno”, com a conquista dos povos indígenas do continente ao longo dos séculos XVIII e XIX.

No entanto, políticos americanos ainda relutam em usar a palavra “imperialismo” para descrever as atuais guerras e intervenções na Ásia e no Oriente Médio, já que o termo não soa bem a um eleitorado que ainda acredita nas promessas de liberdade e democracia pregadas pela ideologia dominante no país.

Nesse contexto, surge Niall Fergunson, um historiador econômico escocês que defende a ideia de que os Estados Unidos precisam assumir seu papel de império liberal. Ele critica com veemência os líderes políticos e econômicos do país pela falta de “garra moral” para cumprir essa responsabilidade e, embora lamente a face negativa do imperialismo, crê que o fenômeno pode ser positivo, já que traz a abertura do comércio internacional, ampliação dos investimentos em países em desenvolvimento, migração de mão de obra e ascensão de governos não corruptos.

Baseado exclusivamente em uma relação ampla de fontes secundárias, Colosso é bem escrito e altamente coerente do ponto de vista interno, já que Ferguson nunca deixa de defender os impérios, em especial a Inglaterra dos séculos XVII a XIX e os Estados Unidos a partir da década de 1940.

Em oito capítulos sucintos, o autor desenha a trajetória de ascensão e queda do império americano no pós-guerra. Sua narrativa completa a consolidação do liberalismo na economia mundial, as várias intervenções militares americanas, a crescente dependência do país em relação ao petróleo que vem do Oriente Médio e, principalmente, a relutância dos Estados Unidos em assumir seu papel de império , temendo, por exemplo, a reprovação por parte da opinião pública contrária a uma política intervencionista. Ferguson ainda analisa o fracasso americano na reconstrução do Iraque e os problemas econômicos decorrentes dos sistemas supostamente caros de saúde pública e de seguridade social.

Colosso, com a clara intenção de defender o imperialismo histórico e as atuais intervenções americanas. Em suas argumentações, Ferguson ignora uma vasta historiografia que detalha os horrores da ação imperial e os ferozes debates teóricos existentes sobre a natureza da crise econômica capitalista e do sucesso das políticas de intervenções externas.

Ele elogia, por exemplo, a construção da hegemonia britânica na economia mundial do século XIX, citando o excelente livro Holocausto coloniais, do historiador Maike Davis. No entanto, Ferguson não menciona que o tema da obra de Davis são as devastadoras ondas de fome provocadas pelo imperialismo, responsáveis pela morte de milhões de pessoas ao redor do mundo, inclusive meio milhão de nordestinos brasileiros na década de 1870.

Da mesma forma, sua receita neoliberal para continuar bancando o império americano – cortes no estado de bem-estar social e desregulamentação financeira – está sendo duramente criticada por muitos estudiosos, inclusive o ganhador do Prêmio Nobel de Economia  Paul Krugman, para quem os argumentos de Ferguson têm “estilo”, mas não demonstram “compreensão da substancia”. Vale lembrar que essas políticas econômicas resultaram na crise financeira de 2008, cujas consequências desastrosas se fazem sentir ainda hoje.

De fato, como disse o historiador Robin Blackburn, Ferguson ” é seduzido pelo romance e pela retórica do império”, sem entender “sua logística e seu raciocínio econômico”, tampouco os resultados da política imperialista para aqueles que sofrem com ela.  

Fonte: revista Históriaviva, editora Duetto, ano VIII – nº 95, pág. 78 e 79

   

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Os conflitos provenientes do Imperialismo

Neocolonialismo e Descolonização

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Imperialismo ou Neocolonialismo

Quando pensamos em “IMPERIALISMO” talvez nos venha a idéia de imponência, respeito, ou algo do tipo. Mas, o que realmente vem a ser o IMPERIALISMO?

-> O termo denomina a política de dominação – territorial ou econômica – que o governo de alguns países passou a exercer sobre outros a partir do final do século XIX. 

                                                    

Mas vamos entender melhor:

Diante do crescimento de suas economias, Inglaterra, França, EUA, Alemanha e posteriormente o Japão adotaram o protecionismo em seus países e uma política agressiva no plano mundial como forma de conquistar novos mercados. O principal alvo foram as nações ainda não industrializadas da Ásia e da África, além da Oceania. Assim, para expandir-se, as grandes potências adotaram uma política imperialista, passando a dominar outras regiões do mundo, num processo que ficou conhecido como neocolonialismo do século XIX. 

O domínio territorial geralmente é feito por uma intervenção militar: tropas do país imperialista instalam-se no país dominado, ocupando seu território. As nações imperialistas  pretendiam ter o controle total das matérias primas e do comércio da região conquistada. O domínio econômico, por sua vez, é feito por meio da interferência na vida econômica do país dominado, com a transferência de uma série de empresas que possam controlar o mercado consumidor e a extração de matérias-primas da região sob domínio. Esse era o maior interesse dos países imperialistas.

Comparado ao colonialismo do século XVI, o neocolonialismo  ou imperialismo do século XIX consistia numa forma diferente de dominação. A finalidade, contudo, era a mesma: explorar o país dominado. O objetivo da política neocolonialista era repartir o mundo entre as grandes potências capitalistas, ampliando e integrando os mercados mundiais. Por meio de uma estrutura que envolvia militares, funcionários e seus auxiliares, a metrópole impôs o controle político e econômico nas regiões colonizadas.

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